domingo, 5 de janeiro de 2014

AS HISTÓRIAS DA AVÓ - O Pinheirinho de Natal





                            
Numa aldeia de Trás-os-Montes, morava um menino que vivia com os pais. Era muito esperto, muito bom, amigo de todos, obediente, bem comportado, embora fazendo algumas asneiras próprias da idade dele, mas que ele reconhecia pedindo desculpa.
O menino frequentava uma escola como a tua, com mais alguns colegas.
Dava-se bem com eles ao ponto de ser amigo de todos e todos gostarem
muito dele. Acima de tudo era muito estudioso, fazia todos os trabalhos que a professora mandasse fazer.
Estava a chegar o mês de Dezembro, mês em que se festeja o Natal que é uma festa que os meninos e também os adultos adoram.
Certo dia a professora chegou à escola e perguntou:

Professora : Os meninos já fizeram a árvore de Natal?
E quase todos responderam:
Aluno: Eu já fiz!...
Aluna : Eu também!...
Excepto o menino da nossa história, que, tristemente, assim falou:
Menino : Eu não fiz, não tenho pinheiro…      
A professora então disse-lhe:
Professora . Tens então que pedir à tua mãezinha que te arrange um, está bem?

As aulas desse dia acabaram e o menino foi para casa.

Quando  lá chegou foi a primeira coisa que disse à mãe:
Menino : Mãezinha, todos os meninos da minha escola já fizeram a árvore de Natal e eu não fiz, não tenho pinheirinho!

Mãe : Pois não filho, mas eu também não to posso comprar; o que tu podes fazer é ir ao pinheiral e pode ser que arranjes lá algum pinheiro pequenino. Mas tem cuidado,  não estragues nada; há pinheiros muito grandes que têm uns galhos que não lhes fazem falta, e eu posso colocá-los num vaso e arranjamos assim um pinheirinho.

O menino saiu de casa e lá foi até ao pinheiral.Ia pelo caminho, sempre atento a tudo, mas até falava sozinho:

Menino : Estes pinheiros são tão altos que eu não chego lá, não vou arranjar nada!

De repente, viu um senhor idoso sentado numa pedra, que falou com ele:

Velho :Meu menino que procuras?
   
Menino : Eu queria um pinheiro para fazer uma árvore de Natal!
Velho : Queres que te empreste um?
Menino : Emprestar?!...
Velho : Sim, emprestar; quando acabarem as festas tens que mo trazer, está bem?
Menino : Está bem, eu trago! Obrigado!

O pinheiro era pequeno e estava já num vaso, e o menino lá o levou até casa.
Ao entrar, chamou a mãe:

Menino : Mãezinha, mãezinha, já tenho pinheiro; um senhor no pinheiral emprestou-mo!
Mãe : Emprestou-to?!
Menino : Sim, emprestou-mo; quando acabarem as festas tenho que lho levar de novo, mas neste tempo todo devo regá-lo de vez em quando.
Mãe : Está bem, eu vou pô-lo em cima da mesa, só que não temos com que o enfeitar…
Menino : Não faz mal, já tenho o pinheiro, era o que eu queria.

O menino foi lavar as mãos, lanchou, fez os deveres de casa, arrumou a pasta e ainda brincou um bocado. Quando o pai chegou, contou-lhe tudo o que tinha acontecido.
Jantou e passado algum tempo foi lavar os dentes, arranjar-se todo e foi dormir.
Eram oito horas da manhã a mãe foi acordá-lo, ajudou-o a vestir-se e deu-lhe leite e pão com manteiga; depois foi lavar os dentes, deu um beijo à mãe e foi para a escola.
Quando lá chegou,  a primeira coisa que fez, ainda antes de ir para a sala, foi   contar à professora o que se tinha passado.
Ao chegar à sala, a professora disse aos outros meninos:  

Professora : Bom dia meninos,. O vosso colega já tem pinheiro, mas não tem com que o enfeitar; será que alguns de vós poderão  arranjar umas bolinhas e outras coisas para ajudá-lo a ter uma árvore de Natal como a vossa?

Ao que todos responderam com entusiasmo:

Alunos : Vamos todos ajudar; amanhã trazemos  o que for possível!

Professora : Muito obrigada, mas não se esqueçam de pedir aos vossos pais! Não trazem nada sem autorização deles, ouviram bem?!

Passou-se mais um dia com tudo o que um menino tem para fazer até ir dormir.
Ao outro dia lá foi ele de novo para a escola. Entrou na sala e ficou espantado com o que os colegas tinham para lhe dar.

Menino . Ena tanta coisa! Bolas, bonequinhos, luzinhas para piscarem… obrigado meus amigos!
Eu tenho tantos amigos! A minha professora também é uma grande amiga e eu gosto muito dela! Ela sabe que nós todos gostamos muito dela!!

O menino foi para casa e quando chegou e mostrou  tudo o que trazia à mãe, esta ficou muito contente pelo filho, pois senão fosse assim, ela nunca poderia comprar nada para ele. Ganhavam muito pouco e o dinheiro só dava para as despesas da casa, para comerem e se vestirem.
Acabaram de almoçar e a mãe disse-lhe:

Mãe : Vais primeiro fazer os deveres e depois tens o tempo todo para tratares do teu pinheiro!

Assim foi. Depois dos deveres feitos lá foi ele enfeitar a sua árvore, com muitas bolas, muitos bonecos e finalmente, para ligar as luzes chamou a mãe.

Menino : Mãezinha, liga as luzes por favor!
Ai que linda que está a minha árvore, é a mais bonita do mundo!! As luzes a piscar, as bolinhas a brilharem, ohhh! Mãezinha até me faz llembrar uma cantiguinha que eu aprendi quando era mais pequenino, que se chamava “Pinheirinho de Natal“!!
Era assim:
                                                     
“Pinheirinho, pinheirinho,
De ramos verdinhos…
A enfeitar, a enfeitar…
Bolas, bonequinhos!!
                                                      
Uma bola aqui, outra acolá,
Luzinhas que brilham,
Que lindo que está!

Olha o Pai Natal…
De barbas branquinhas,
Traz o saco cheio,
Cheio de prendinhas!...

Entretanto na escola, sem o menino saber, a professora pediu aos colegas dele, o seguinte:

Professora : Meus meninos, como vocês sabem, o vosso colega é bastante pobre e não pode ter brinquedos neste Natal.
Eu lembrei-me de vos pedir para arranjarem um brinquedo com que já não brinquem, mas que esteja em condições e, mais uma vez, só com autorização dos vossos pais, o dessem  ao vosso colega. Metemos tudo num saco e vou pedir àquele senhor que lhe emprestou o pinheiro, se faz o favor de lho entregar.
E continuou:
- Eu vou dar-lhe umas calças, uma camisola e umas sapatilhas novas, para juntar aos vossos brinquedos. Ele não pode saber de nada, senão deixa de ser prenda de Natal! Conto com vocês!

Ao outro dia os meninos chegaram mais cedo, antes do
colega, e a professora guardou tudo que eles levaram assim como a prenda dela, num saco bem grande. Foi então pedir ao senhor que vive no pinheiral e que tinha emprestado ao menino o pinheiro, o favor de levar o saco, à hora do jantar, na noite das prendas, à casa do menino com quem tinha falado. Disse logo que sim e que arranjava um vestuário e uma barbas de maneira a disfarçar-se de Pai Natal.
Assim aconteceu. Estavam já todos à mesa, e a mãe disse:

Mãe : Olha meu filho, este ano o Pai Natal não pode vir, tu sabes porquê… A vida não correu muito bem este ano, mas pode ser que para o próximo seja melhor.

Menino : Não faz mal mãezinha! O que eu mais queria, já tenho,  a árvore de Natal!
Não te aflijas, eu estou muito contente!

De repente batem à porta… truz, truz, truz….

Mãe : Filho, vai ver quem é! A esta hora não sei quem possa ser! Vai filho… pode ser algum pobre a pedir alguma coisa! Se for um pobre, manda-o entrar!

O menino abre a porta e dá um grito de admiração.

Menino : Mãezinha, paizinho, olhem quem está aqui! É o Pai Natal!!!

Velho : Sou o Pai Natal, venho desejar um Bom Natal e trazer umas prendas, que os teus colegas e a tua professora me encomendaram para te dar. Sabes meu menino, tens uns grandes amigos!

O menino quase ficou sem fala. Pegou no saco, agradeceu, deu um beijo ao Pai Natal, despediu-se e fechou a porta.
Despejou o saco no chão e disse:

Menino : Ai mãezinha tantas prendas!!! Uma bola, um comboiinho, um avião, legos, carrinhos, livros para pintar, lápis de cor e ainda um saco de papel!! Que será? Vou abrir… olha!!! Olha mãezinha, uma camisola, umas calças e umas sapatilhas novinhas!! São para eu vestir e calçar amanhã! Vou andar muito bonito!

Assim passou este menino um Natal muito feliz. Este menino podia ser um de vocês. Lembrai-vos sempre que, às vezes próximo de vós, há meninos que precisam da vossa ajuda, quanto mais não seja da vossa amizade. É tão bom ter amigos, mas para isso, temos de ser amigos também. Brincai todos juntos, reparti as vossa coisas quando um colega precisar, falai com educação uns com os outros; não é aos berros  nem com queixinhas que sois amigos; resolvei os problemas entre vós; há coisas que nos fazem zangar, mas tentai compreender e fazer as pazes.
Agora vamos terminar a história…
Acabaram as festas. O menino desfez a árvore de Natal, guardou tudo nas caixinhas  para o ano seguinte, pegou no vaso com o pinheiro e foi entregá-lo ao senhor.

Menino . Boa tarde meu senhor, está aqui o seu vaso e muito obrigado!
Velho : Espera, ainda não acabou!
Responde o senhor.
Velho : Pega numa pá que está aí no chão e abre um buraco! Não olhes para mim espantado, faz o que te digo!
O menino assim fez e o senhor continuou:
Velho : Já chega, o buraco já serve! Agora tira o pinheiro do vaso e mete a raiz nesse buraco, tapa com a terra e calca-a bem!
O menino assim fez…
Velho : Vai buscar aquele regador que tem água e deita-lhe um pouco! Já está?
Sabes para que fizeste isto? Para o ano não precisas de procurar pinheiro!
O menino, atento ouvia…

Velho : Este vai crescer como tu, e para o ano vens aqui com um vaso maior, tira-lo da terra, coloca-lo no vaso e voltas a levá-lo para o tornares a enfeitar! Enquanto durar e tu quiseres, será o teu PINHEIRO DE NATAL.

O tempo passou, acabaram as férias e as aulas recomeçaram!  

A alegria dos meninos por terem feito feliz o colega  era tão grande, que não paravam de se abraçar, saltar e por fim, todos foram dar um beijinho à professora, que dentro da escola é a maior amiga que eles têm.                        



COM MUITOS BEIJINHOS DA AVÓ…

ASSIM ACABA A HISTÓRIA

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